segunda-feira, setembro 22

Asinhas de passarinho

Era um passarinho pequeno e novo, ansioso pra voar....tentou, tentou até que achou um vento que o levasse para um bom lugar. Passarinho abriu as asas e pôs-se então a voar... sentiu o vento, amou a brisa, quase chegou no mar. Mas passarinho seguro, fechou os olhos e deixou o vento o guiar. O vento, traiçoeiro, jogou passarinho ao ar.
Passarinho despencou. Machucou suas asinhas, ficou meio tonto, observando a vida passar. E de asinhas machucadas, passarinho voltou a sonhar.... com um vento que o levasse de novo, de volta a um bom lugar! O vento veio, passarinho se ajeitou e fingiu que gostava de voar. Meio arisco deixou o vento de novo lhe levar. Mas agora era diferente....o vento ventava sem saber onde ia dar...Nesse turbilhão, as asinhas do passarinho, ainda sem a força de outrora começou a incomodar. Mas o vento o ignorava e o passarinho começou a pensar: minhas asinhas ainda não sararam, meu Deus, assim, onde vou parar? E passarinho pensou, pensou, enquanto o vento ventava sem em nada reparar, que o passarinho não o conseguia mais o acompanhar. Passarinho, meio tímido que era, desceu, parou e entoou uma nova canção. Despediu-se do vento...montou sua casa no chão!

quarta-feira, setembro 17

Imagens

Vi essa imagem por acaso: à ponta de um dedo, e o que mais me chamou atenção foi o notebook todo branquinho, fino, tecnologia de ponta... Me deu vontade de saber qual modelo, configurações e preço. Ainda vou ter um assim... :)

quinta-feira, setembro 11

Beleza

Estou leve. Encontrei o belo em mim. Assinei a carta de alforria de todos os preconceitos enraizados.... e me sinto amada hoje. Como é bom viver assim!

Releituras

O silêncio às vezes é importante pra mim. Estou seca de palavras. Mas não quero que pense que isso é um papo sério, porque não é. Isso é um desabafo. Hoje eu quero o silêncio, de tudo e não consigo. Desde cedo eu tento me adequar a isso....fechei todas as janelas, apaguei uma luz...e o silêncio não veio. Fico me lembrando dos momentos em que vivi esse silêncio....e foram muito poucos. Talvez por isso eu sinto tanto a falta deles, dos momentos. Nunca com ninguém, consegui compartilhar silêncio, até porque eu falo demais, mas mesmo assim eu preciso dele. É estranho. Converso sozinha, finjo situações que nunca vou viver e finjo o silêncio tb.... na hora do almoço, hoje, fingi silêncio, mas ele fugiu de mim. Sei que nunca vou conseguir fazê-lo de maneira consciente.... o silêncio não está em mim e nem eu nele, mas tento vivenciá-lo assim mesmo. Nessas horas eu escrevo livros e tento me lembrar deles depois. Por isso estou escrevendo agora...pq nesse momento, preciso fingir que não vivo o silêncio.

segunda-feira, setembro 8

Nada

Precisar ser nada.... mas o que eu definiria sobre o nada? Estado de ócio, estado de graça... Mas agora se tornou veradeiramente difícil ser nada!

Nossa história documentada sofreu mudanças e para tais burocracias inventadas temos registros falados! Mas que falta de compromisso selar compromissos mesmo que sejam apenas compromissos falados? Precisamos de um órgão que institucionalize essas normas estipuladas...
Então com encalço, registrado está! Faço desse momento uma nova instituição, onde sou o que sou, quero o que quero e registro o que tiver na telha. Assim registrado está que o amor deve ser celebrado por todos os dias, sejam dias de sol ou de chuva e que os feriados estão inclusos nessa nova ordem. E que para cada cor seja dada uma nova oportunidade de ser sabor... e que para cada nada eu encontre um tudo que o liberte!
...e para cada liberdade eu encontre um novo porquê. E que para cada palavra eu esboce um novo ser.
Pois hoje sou vento, tão leve e estonteante que vou para longe sem nada dizer.

Sem NADA dizer...

quinta-feira, setembro 4

Fragmentos achados

"Se passasse por ele de novo, teria a certeza que precisava viver aquilo que até agora era irreal. Sexo... bobagem: ela sempre pronunciara que nunca procuraria um homem. Então por que desejava? Isso era desejo? Não sabia como lidar com aquelas estranhas sensações corporais. Queria se atirar em uma banheira e acariciar seu próprio corpo. Tentar neutralizar aquele desejo doentio que ela não conhecia.
E aquele homem o que era? Era verdadeiramente fruto de seus sonhos? Talvez o mais lilás que ela podia ter sonhado. E agora ele ali, assustado, precisava de uma explicação embora ela nada falasse. O que ela queria falar? Ela deixou-o então... Parar alguém na rua era algo que na França as pessoas não faziam: só artistas abordavam assim. E Jollie não era nada nas ruas de Paris. Ela precisava não ser nada."


escrito em dezembro de 2005. Lido por acaso...