sábado, outubro 29

Necessidade de perguntar.

E aquela promessa?
E o seu presente?
Quando poderei te dar o que prometi?

Sabe o que penso?
Não quererás de verdade?
Jamais saberás porque?

E aquela pessoa?
E a descoberta do outro?
E a vã esperança?

E o salário?
A vida continua sem graça?
E Paris?

Cafés?
Entre, por favor...
Sirva-se e peça...
Açucar....

Prefere chá?
Fique a vontade....
Sede?
Sukita....
É o que gosta?

Até....
Quando?
Não sei....
Marcará, você?
Vamos ver....

sexta-feira, outubro 28

Para as bruxas: como ser uma delas...

Primeiro, nasça sempre mulher.
Procure pelos anjos.
Ouça seu interior.
Faça belos feitiços em noites de lua cheia.
Melhor, faça feiticos de amor.
Olhe para o céu.
Invente uma nova doença...
Abuse de curas antigas.
Tenha um sapo de estimação.
Ame mais de duas vezes.
Sofra por amor.
Se reconcilie consigo mesma.
Saiba de suas potencialidades.
Brinque com gnomos e salamandras no final de semana.
Deposite maçãs no jardim.
Tenha uma caldeirão, mesmo que seja pequeno.
Amedronte, ao menos um homem.
Seja delicada com os outros.
Brinque com as crianças,
mas as assuste de vez em quando.
Vá à Inglaterra.
Use temperos especiais.
Vire-se sempre para todos os lados....
e jamais revele os segredos das diagonais.

terça-feira, outubro 18

A normalidade da crise

"O processo da crise é permanente, o que temos são crises sucessivas. Na verdade, trata-se de uma crise global, cuja evidência se faz, tanto por meio de fenômenos globais, como de manifestações particulares, neste ou naquele país, neste ou naquele momento, mas para produzir um novo estágio de crise. Nada é duradouro."

Milton Santos no livro 'Por uma globalização mais humana'
sobre a crise na atualidade da globalização.
Pode parecer contraditório, mas analisando o trecho acima, conseguimos perceber claramente que as diferentes crises nos fazem viver um processo permanente de crise, no qual cada tentativa de solucionar um problema nos leva a uma nova forma crítica, assumidamente desregulada. Por que continuarmos? A educação é capaz de mudar algo nessa situação configurada como constante? A filosofia e a tecnologia associadas num processo educativo de seleção de informação é válido nessa nova sociedade, que recebe e associa informações de forma tão inconstante e descomprometida?
Qual a sua opinião sobre esse assunto? Deixe uma mensagem aqui...

domingo, outubro 16

Codinome, Beija-Flor

CODINOME: Beija-Flor
Cazuza, Ezequiel Neves e Reinaldo Arias

Pra que mentir
Fingir que perdoou
Tentar ficar amigos sem rancor
A emoção acabou
Que coincidência é o amor
A nossa música nunca mais tocou

Pra que usar de tanta educação
Pra destilar terceiras intenções
Desperdiçando o meu mel
Devagarinho, flor em flor
Entre os meus inimigos, beija-flor

Eu protegi teu nome por amor
Em um codinome, Beija-flor
Não responda nunca, meu amor
Pra qualquer um na rua, Beija-flor

Que só eu que podia
Dentro da tua orelha fria
Dizer segredos de liquidificador

Você sonhava acordada
Um jeito de não sentir dor
Prendia o choro e aguava o bom do amor

sábado, outubro 8

Qual o nome dela mesmo?


Queria ser como ela...
deitar em teu colo,
sonorizar a sua vida
sentir teu tocar....
Talvez tua única companheira,
talvez naquele momento
talvez em algum lugar...
do lado da tua cama ela se deita.
Silencia à porta do teu olhar.
Dança quando a exiges.
Sonha ao te ouvir cantar.

Baudelaire

A alma do vinho
Tradução de Guilherme de Almeida
A alma do vinho assim cantava nas garrafas:
"Homem, ó deserdado amigo, eu te compus,
Nesta prisão de vidro e lacre em que me abafas,
Um c6antigo em que há só fraternidade e luz!

Bem sei quanto custou, na colina incendida,
De causticante sol, de suor e de labor,
Para fazer minha alma e engendrar minha vida;
Mas eu não hei de ser ingrato e corruptor,


Porque eu sinto um prazer imenso quando baixo
À goela do homem que já trabalhou demais,
E seu peito abrasante é doce tumba que acho
Mais propícia ao prazer que as adegas glaciais.


Não ouves retinir a domingueira toada
E esperanças charlar em meu seio febris?
Cotovelos na mesa e manga arregaçada,
Tu me hás de bendizer e tu serás feliz:


Hei de acender-te o olhar da esposa embevecida;
A teu filho farei voltar a força e a cor
E serei para tão terno atleta da vida
Como o óleo que os tendões enrija ao lutador.


Sobre ti tombarei, vegetal ambrosia,
Grão precioso que lança o eterno Semeador,
Para que enfim do nosso amor nasça a poesia
Que até Deus subirá como uma rara flor!"

quarta-feira, outubro 5

O que me falta

Uma vivência mística. Metafísica, se possível. Um experimentação de algo que não é capaz de ser traduzido imediatamente pela racionalidade, tão característica de minha medíocre personalidade. O que fazer então?

Me render às imposições do coração? Já fiz uma vez e não deu certo.

Olhar pra trás e imaginar como seria se a vida desse certo? Já fiz uma vez e não deu certo.

Entender que não posso ter de volta tudo que eu perdi? Já fiz uma vez e não deu certo.

Crer, com fundamento, mas sem certezas? Já fiz uma vez e não deu certo.

Achar, de alguma forma que a racionalidade pode me trazer algo inovador e mais forte do que eu? Possibly Maybe...

Por que não tentar? Parece que gosto de quebrar a cara. Gosto, não. Preciso. Pra entender a não aceitar minha idiota questão da superioridade de sentimentos. Pra não suportar a dor de ser sempre a mais forte. Pra pedir ajuda quando eu precisar (mesmo quando eu realmente precisar).

Viver... é lindo, não? Amar, é lindo! Como o dia está bonito! Uhmmm.... um dia de clube!

domingo, outubro 2

Qual será o pensamento de Deus quando Ele percebe a humanidade desvinculada dos objetivos com os quais a criara? Será que relamente estamos em um jogo, como o de xadrez, onde Ele manipula as peças para que os Reis não se percam, até que Se canse de jogar? E aí, entraremos na caixa e seremos quardados dentro do armário, até que Ele resolva jogar novamente? Montará Seu tabuleiro e irá dispor novas peças, novos enfoques do jogo, dessa vez... tudo diferente? Ou continuará sendo Pai, eterno e justo, ensinando a cada peça a ser mover sozinha, dando coragem para que cada uma avance, se proteja, chegue e vença? Existem vencedores? Perdedores, talvez. Existem dores dispostas no tabuleiro. E muitas. Deveremos achá-las.
Peço a Deus que não desista do jogo e ajude-nos a não desistir também. Que ele feche os dedos e não nos faça cair sobre aquilo que foi criado por Ele, construído por nós. Que nós voltemos as origens e sejamos capazes de perceber a força de cada um, o ideal de igualdade e fraternidade entre os povos, entre os homens. Somos tão homens quanto os outros, somos tão seres quanto os outros. Sejamos, pois, na essência com a qual Ele nos criou. Impossível? Retorno....