segunda-feira, janeiro 24

Tola Indiferença

"Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que a nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado gafe. Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer "pelo menos não fui tolo" e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia."

Clarice Lispector

terça-feira, janeiro 11

Acabou-se o que era doce

Passamos o ano e a "nova vida" que muitos acreditavam ter, já entrou numa velha rotina conhecida. Esta semana estava no shopping e assisti mais de quatro famílias nas quais os pais gritavam com seus filhos por motivos tolos. Exemplo: "você acabou de ganhar um monte de coisa e está pedindo mais?", ou então: "veja o que você fez com minha roupa seu desastrado.... derramou todo o meu chopp na mesa...." e ainda: "que férias demoradas, viu? tenho vontade de te mandar pra sua avó."

E as festas de amor e compaixão, onde todos se abraçavam, trocavam presentes e palavras de amor ficou há quase 20 dias de distância de nós. Será que vai ser sempre assim? Acredito que vai. Vai ser sempre a mesma coisa, as mesmas festas, os mesmos abraços e o bom e velho stress. Qua acabou virando rotina. Não é mais doença. É estado de alma. E tem muita gente que ainda acredita que daqui pra frente, tudo vai ser diferente.

"Façamos, vamos amar..." (Elza e Chico)